Muitos dos pressupostos que governavam as regras de negócios estão sofrendo um rápido processo de mudança. Consequentemente, as empresas de todos os setores, tamanhos e geografias, que foram constituídas antes do surgimento da internet enfrentam grandes desafios para esta adaptação. Entretanto, estas ameaças que podem trazer rupturas nos modelos tradicionais de negócios não são inevitáveis e as empresas podem sim se adaptar e progredir seus negócios neste novo cenário de inovações e mitigar os riscos disruptivos que se tornam a cada dia mais presentes. A questão é, de como se adaptar a estas novas formas de fazer negócios? O que se torna evidente é a necessidade de uma atualização da mentalidade estratégica, muito mais que a infraestrutura da área da tecnologia da informação, uma vez que esta “revolução digital” não tem muito a ver com a tecnologia em si, e sim muito mais com uma nova estratégia de fazer negócios, fundamentada em uma mudança de princípios, que aqui chamamos de pilares da Transformação Digital.

Nestas últimas décadas a área de tecnologia prestou excelentes contribuições para otimizar processos, melhorar a eficiência da operacional, processos de decisão e aumentar os controles internos das organizações em suas funções Governança e Compliance. O movimento para a Governança desta Transformação Digital tem outras dimensões e requer uma visão holística com forte perfil estratégico que possa enxergar de como o digital irá afetar as relações com o mercado, seus comportamentos, suas interações com a empresa e com todos os stakeholders. Trata-se de uma nova forma de enxergar os clientes, a concorrência, como trabalhar com uma grande quantidade de dados, a sua incorporação nos processos de decisão empresarial, alinhar a gestão com os novos ciclos de inovação e com a volatilidade atual da proposta de valor das organizações. As empresas devem se conscientizar que muitos de suas premissas tradicionais de fazer negócios devem ser atualizados:

1.CLIENTES: as tecnologias digitais mudaram a maneira como nos conectamos com os clientes e lhes oferecemos nossos produtos e serviços. Crescemos em uma realidade em que as empresas transmitiam mensagens e faziam suas ofertas aos clientes em escala massiva. A relação agora na era digital é interativa, de “mão dupla” e com enfoque personalizado. As mensagens e avaliações dos clientes tornam-se muito mais influentes que a propaganda tradicional, mesmo que ditas por celebridades, transformando a participação dos clientes e prospectos em indutor critico do sucesso nas empresas. Clientes eram considerados atores e o modelo predominante do mercado de massa focava em conquistar mercados, por meio da comunicação ampla e impessoal. Neste mundo digital existe a busca de uma comunicação individualizada  onde clientes se conectam e interagem formando uma nova relação entre si e com as organizações. Eles influenciam consumidores e constroem o prestigio das empresas. Com os meios digitais disponíveis os clientes pesquisam, compram, avaliam, interagem e compartilham informações sobre  produtos, serviços, marcas e reputação dos executivos. Com isto as empresas são obrigadas a repensar os funis e processos de venda estudando os hábitos da conhecida “jornada de compras” dos clientes e se utilizam com mais de frequência de redes sociais, mecanismos de busca etc. considerando tantos os laptops como também a importância dos dispositivos moveis para responder a este novo momento. Todos os negócios devem aprender a explorar o poder e o potencial das redes de clientes, ou seja, devem procurar criar as condições para que ocorra este envolvimento, antes mesmo da 1ª compra.

  1. CONCORRENCIA: neste novo momento a competição vai por exemplo além das tradicionais rivais, mas agora poderá estar em negócios de outros setores de atividade que roubam clientes com as suas novas ofertas digitais. É provável que passemos a competir com um adversário tradicional e que, ao mesmo tempo, estejamos explorando as capacidades desse mesmo concorrente, cooperando com ele em outra área de negócio.

Tradicionalmente competição e cooperação eram vistos como opostos binários. As empresas competiam com empresas rivais muito parecidas com elas mesmas e cooperavam com parceiros da cadeia de fornecimento que distribuíam seus bens e serviços. A “desintermediação digital” trouxe mudanças nas parcerias e no fornecimento tradicional. Antigos parceiros de negócio podem se tornar-se concorrentes e passarem a servir diretamente seus clientes. Por outro lado, por vezes nestes novos tempos devido a modelos de negócio interdependentes ou desafios externos mútuos passa a existir a cooperação entre tradicionais rivais. E aqui é importante reconhecer que a importância das atuais plataformas permitindo que uma empresa crie enorme valor ao facilitar as interações envolvendo outras empresas e clientes.

  1. INFORMAÇÕES: nos negócios tradicionais as informações custavam caro, eram difíceis de armazenar e usados por departamentos da organização de forma separada. O gerenciamento exigia o investimento de compra e manutenção sistemas pela área de TI. Atualmente informações são geradas em quantidades sem precedentes por empresas e pessoas, o armazenamento com a nuvem é a cada dia mais barato, acessível e amigável. O maior desafio de hoje é de converter a enorme quantidade de dados em informações de valor que possam criar a inteligência das organizações. Até um tempo atrás as informações eram produtos de ações deliberadas como a pesquisa de clientes, dos processos de negócio e eram usadas para previsões, avaliações e tomada de decisões. Atualmente temos um diluvio de informações geradas por conversas, interações, processos, dentro e fora da empresa. Mídias Sociais, dispositivos moveis, sensores na cadeia de fornecimento que geram dados não estruturados e que podem ser usados para alimentar novas ferramentas analíticas. Está big data criam condições para que as empresas além de previsões mais acuradas, conheçam melhor os hábitos dos clientes e que se transformam em unidades de inteligência do negócio.

4.INOVAÇÃO: tradicionalmente as inovações eram dispendiosas e arriscadas, inclusive os princípios de qualidade eram direcionados para fazer certo pela 1ª vez. As tecnologias digitais possibilitam a verificação e a experimentação continuas, algo inconcebível no passado. A construção de protótipos é barata e o teste de ideias é rápido. O aprendizado é continuo e novas ideias são desenvolvidas, testadas e lançadas no mercado. Tradicionalmente a inovação era gerenciada com foco principalmente no produto acabado. Os testes eram difíceis e custosos e a maioria das decisões sobre inovações se baseava na intuição dos gestores. O custo do fracasso era alto e evitar o fracasso era fundamental. As startups são a evidencia que as tecnologias digitais possibilitam que encare a inovação de forma diferente, com base no aprendizado continuo e por experimentação rápida. As premissas são testadas sucessivas vezes e as decisões sobre o projetos são tomadas em validação de clientes reais.

5.VALOR: o que os clientes valorizam pode mudar com muita rapidez e novas oportunidades são descobertas com muita frequência. Quando uma empresa alcança sucesso pode se estabelecer uma complacência perigosa e neste mundo atual buscar novas fontes de “valor” para os clientes é cada vez mais imperativo. Tradicionalmente a proposta de valor da empresa era considerada duradoura ou quase constante. Na era digital confiar em uma proposta de valor imutável é semear desafios e muito provavelmente colher rupturas causadas pela concorrência que buscam propostas de valor mais atraentes de forma continua. A única prevenção segura em um contexto de negócios em mutação é escolher o caminho da evolução constante e aproveitar as oportunidades adaptando-se desde logo para se manter na dianteira na curva de mudanças.

Acredito que estamos ainda no inicio desta revolução digital nas organizações e as oportunidades são grandes para as empresas que fizerem bom uso destes fundamentos de mudança. Não importa se a empresa é grande ou pequena eles se aplicam a qualquer organização para poder ir além dos pressupostos da era analógica. Em frente!

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